A caneta emagrecedora existe há anos, funciona e está na farmácia — a um preço que a maioria das famílias não consegue pagar. Quem depende do SUS não emagrece: adoece. E aí o Estado paga a internação, a cirurgia e a diálise.
Obesidade é doença. Está na Classificação Internacional de Doenças, tem tratamento reconhecido e tem remédio aprovado pela Anvisa. O que não tem é acesso — e a conta dessa escolha não é do paciente, é de Minas inteira.
Enquanto isso, Minas paga a conta pelo lado mais caro. Gasta com internação, com cirurgia e com diálise o que gastaria menos tratando antes. É burrice orçamentária antes de ser injustiça social.
E não adianta esperar Brasília. O Ministério da Saúde já disse não em agosto de 2025, e disse por preço — a conta na época dava R$ 8 bilhões por ano. De lá para cá a patente caiu. Minas não precisa pedir licença para cuidar dos mineiros.
Nos nossos vales, quem tem obesidade grave não tem para onde ir: a cidade pequena não tem endocrinologista, não tem nutricionista na ponta e não tem como bancar o tratamento. O município acaba pagando a ambulância que leva o paciente para Valadares. Um programa estadual tira esse peso da prefeitura e coloca no lugar certo.
Todo dado desta página tem fonte pública e data conferida.
é o que obesidade, hipertensão e diabetes custam ao sistema de saúde só em Minas. Elas respondem por 16% das internações do SUS.
é o custo de manter uma pessoa em diálise. Um ano de tratamento da obesidade custa menos da metade de uma internação por AVC.
o primeiro programa público e gratuito de balão gástrico da cidade, aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde em 24 de junho de 2024. Não é ideia nova: é coisa que eu já entreguei.
Política Estadual de Enfrentamento à Obesidade, ao Diabetes Tipo 2 e à Hipertensão
O tratamento moderno existe, está aprovado pela Anvisa e está na farmácia. Quem tem plano e dinheiro trata. Quem depende do SUS não tem porta de entrada nenhuma.
O acesso passa a seguir gravidade clínica e histórico de internação — não ordem de chegada, não indicação política, não sorte.
O programa não entrega remédio para todo mundo. Ele organiza o cuidado em degraus, do menos ao mais invasivo, e o primeiro degrau é para todos.
Nutricionista, psicólogo, atividade física orientada, grupo de apoio e avaliação periódica de peso, pressão e glicemia na unidade básica.
Sem fila, sem critério de renda e independente de o paciente vir a usar medicamento.
O medicamento moderno da obesidade e do diabetes, fornecido pelo Estado a quem não pode pagar. Continua sendo obrigatório participar da etapa anterior.
Balão intragástrico e cirurgia bariátrica, quando as etapas anteriores não bastaram e há indicação clínica específica.
Dentro de cada prioridade vale a ordem de inscrição — e quem piora clinicamente é reclassificado para cima, com laudo.
"Iniciado o ciclo terapêutico, é assegurada a sua continuidade até a alta clínica. A eventual insuficiência de recursos orçamentários suspenderá o ingresso de novos beneficiários, vedada a interrupção de tratamento em curso."
Uma política estadual integrada para as três doenças em conjunto, porque elas ocorrem associadas. Nove diretrizes, entre elas o reconhecimento da obesidade como doença e a prioridade por risco clínico, não por ordem de procura.
Nutricionista, psicólogo, atividade física orientada, grupos de apoio e avaliação periódica de peso, pressão e glicemia na atenção básica.
Três faixas: quem tem diabetes descontrolado com obesidade e internação pelo SUS nos últimos 24 meses; depois quem tem o mesmo quadro sem internação; depois obesidade ou sobrepeso com comorbidade.
Balão intragástrico e cirurgia bariátrica por indicação específica. O acesso à Etapa II exige ser usuário exclusivo do SUS, laudo da rede pública e participação na Etapa I.
Só nas indicações registradas na Anvisa, sempre pela alternativa de menor custo entre as clinicamente equivalentes, com genérico e similar incorporados automaticamente.
Tratamento iniciado não é interrompido por falta de orçamento. Critérios, filas e valores das compras vão para site público.
Sem despesa obrigatória nova; as vagas acompanham o orçamento do ano. Relatório anual à Assembleia comparando o custo com a internação evitada. Se o SUS nacional incorporar, o Estado realoca para atender mais gente.
"Iniciado o ciclo terapêutico, é assegurada a sua continuidade até a alta clínica, a conclusão do período previsto em protocolo ou o desligamento na forma do art. 11."
"O acesso à Etapa I não se sujeita a lista de espera nem a critério de renda, e independe de indicação de tratamento medicamentoso."
"É vedada a indicação de marca comercial nos atos normativos e nos instrumentos de aquisição do Programa."
A minuta está escrita, artigo por artigo, com nota técnica. Não é uma intenção a ser redigida depois da eleição.
Ela foi desenhada dentro do que um deputado pode propor: institui política, fixa critério e obriga transparência — sem criar cargo, órgão ou estrutura, que é iniciativa privativa do governador.
E é honesta sobre o próprio limite: prevê o que acontece se o dinheiro faltar, em vez de fingir que não vai faltar.
Estamos reunindo apoiadores em todas as cidades de Minas.